O tio Denoy – por Raphael Nercessian de Oliveira

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Denoy: Alemonds!!!

Raphael: Yahhhh!!!

Bem, esse era o cumprimento urrado com Denoy, um tio afetuoso, intelectual inquieto, um cineasta nato.

Fomos unidos pelas semelhanças físicas, ele com o loiridão  vinda de meu bisavô, um português, e eu com um loiro, quase albino, do meu avô armênio). Sempre ouvi que era eu a cara do Denoy.

Aos meus dois irmãos e eu, o apelido era “Deblins”, uma variante irônica dos Gremlins, os monstrinhos verdes do cinema. Admito que o apelido era justo. Enfim, com tanta fertilidade de ideias, sempre foi um momento festivo receber o irmão de meu pai, quando este vinha ao Rio de Janeiro.

Denoy, diferente dos irmãos Rui e Xavier, adotou a cidade de São Paulo.  Sem essa de saudade, desgarrado fez sua vida na terra da garoa com a determinação Oliveira para o trabalho, sem nunca abandonar seus “brothers”, como se auto-intitulam. Certa vez, Denoy me disse que o Rio de Janeiro seria um grande vazio, no cenário cultural, se não fosse a Rede Globo. Enquanto que São Paulo era o mundo de cultura fervilhando. Taí a explicação de ser um paulista de coração. E foi uma pessoa feliz e vibrante por seu país lhe permitir viver dignamente de sua arte.

É bem verdade que ele sempre foi muito bem relacionado em Sampa, querido mesmo, após sua morte, 17 anos atrás, virou até nome de teatro. Homenagem que alegrou toda a família. Em vida, Denoy fez seu nome, levantou suas estatuetas com grande sorriso no rosto. Amou Maraci, foi um pai para Fernando. Produziu filmes até não conseguir ver, em cartaz, sua última obra: A Grande Noitada.
Raphael no colo do tio Denoy mais avo Helena e MilenaDentro de uma família com alto padrão de qualidade na direção de cinema, junto com Xavier de Oliveira, criaram ao longo de suas carreiras, uma fomentação intelectual por horas de ligações interurbanas e cartas (sim, papel), entre os irmãos. Esse era o orgulho de dona Helena, minha avó, que dizia: o Chico, o Rui e o MEU FILHO!

Seu legado fica por conta de seu exemplo de vida, a obstinação pelo trabalho, principalmente a valorização do SER, ao invés de TER. Hoje Denoy de Oliveira é lembrado pela sua honestidade, o fazer aquilo que se acredita com paixão, não se vender a modismo, e encontrar na arte a sua forma de transformação social.

Estou feliz de trazer, pelo site da LESTEPE, um pouco mais sobre este personagem do cinema brasileiro, que já atuou muito na frente, e detrás das câmeras, além de ser o grande responsável pela composição, junto com Geni Marcondes, da trilha sonora do filme Marcelo Zona Sul. Gargalhada Final é outro filme em que sua música faz toda a diferença. Dentro de sua vasta produção, é difícil eleger uma, assim como Xavier, essa dupla esmiuçou a alma humana procurando trazer a tona o melhor de nós, e nisso, a obra deles permanece eterna.

 

Raphael Nercessian

Vida e Obra de Denoy de Oliveira

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