Marcelo Zona Sul em meia maratona

11892294_875538425848321_4526914491337915950_o O MARCELO ZONA SUL foi convidado para exibições em Belo Horizonte e cidades mineiras por uma entidade de cinema chamada CURTA CIRCUITO, dirigida pelo Cláudio Constantino e Daniela Fernandes, e na produção o Helthon Andrade – tudo gente jovem, dinâmica, no máximo com trinta e poucos anos. A exibição em BH, realizada em 17 de agosto, foi em 16 mm, sendo que o filme ainda correria pelas cidades de Araçuaí, e Montes Claros, em DVD.

O CURTA CIRCUITO convidou a mim (a Armênia não pôde ir) para bater um papo com o público (jovem, na grande maioria) após a exibição. Acho legal esse tipo de encontro, poder papear com as pessoas sobre o filme, ouvir comentários, responder perguntas, trocar impressão, isso enriquece à beça, é uma vitalização interessante para quem vê o filme e para mim também, como realizador, ainda mais no caso do MARCELO, feito há 45 anos – até brinquei com a moçada: esse filme é mais velho que vocês!

11896401_875538369181660_3743697975862160703_oMe chamou muito a atenção o conhecimento da moçada e o interesse pelo cinema nacional. Essa exibição no CURTA CIRCUITO fazia parte de uma programação do cinema brasileiro, que eles chamam de “Mostra Permanente de Cinema”, em exibições gratuitas, sobretudo destinada à formação de plateia e apuro crítico. E nesse quesito os organizadores têm nota dez. Em tantos anos de cinema, participando de tantos eventos semelhantes, nunca eu tinha visto uma plateia tão intelectualmente aguçada como essa que se juntou ali pra ver o MARCELO, no Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena. Nas perguntas que me faziam sempre havia uma indagação inteligente… – interrogando sobre o filme, personagens, entrechos da história, e foi até curioso porque, a partir de certo momento, eles, da plateia, começaram a debater o filme entre eles mesmos, me “esqueceram”, cada um defendia suas posições estéticas, e eu achei isso muito bacana: as pessoas verem no filme coisas além do imaginado pelo autor, o que é natural. Uma obra se refaz, se reconstrói, dentro de cada um, conforme sua carga emotiva, sensibilidade, verve, experiência de vida, e por aí vai – uma apropriação legítima, onde a peça de arte – o filme, o livro, o que seja – se desprega do autor e passa a pertencer às pessoas, que fazem dela o que melhor lhe aprouver. Isso é formidável.

11885323_875476462521184_7078866947446331542_nMas enfim, foi tudo muito bacana em BêAgá. Já há algum tempo eu não revia o MARCELO ZONA SUL, estava meio afastado dele, e tinha curiosidade em saber a reação de uma plateia hoje, em outra cidade, se o filme manteria o apelo original, mas o que senti foi as pessoas presas nas peripécias daqueles quatro meninos, rindo nas piadas, ligadas nos momentos mais sérios, de reflexão, reagindo nas irreverências e inquietações do personagem MARCELO, feito pelo Stepan. Enfim, o filme continua de pé, não envelheceu, irá sobreviver além de mim, acredito. Talvez até entre para a história do nosso cinema ao ser relembrado o filme para jovens, interpretado por jovens atores. E essa é sem dúvida uma aspiração máxima do realizador: a eternidade de seu trabalho.

Mas volto, com prazer, a falar do CURTA CIRCUITO, do esforço daquela moçada, em especial da Dani e do Cláudio, dois jovens idealistas, além de serem de uma gentileza ímpar. O trabalho deles não se restringe à exibição apenas, mas também promovem cursos nas diferentes áreas da produção de filmes. Atuam, portanto, nas duas pontas. Com a exibição permanente, eles montaram um pacote de ação cultural envolvendo patrocinadores de peso – criaram enfim um formato, uma grife, para usar uma palavra da moda, e estão conseguindo exportar esse modelo para outros estados.

E o MARCELO já se beneficiou disso. O filme foi exibido em seguida em São Paulo, no CCSP – Centro Cultural de São Paulo – debatido, após a sessão, pela notável pesquisadora e crítica, Andrea Ormond, e

em Salvador, Bahia, na sala Walter da Silveira, também com debates com o pesquisador local, Rafael Carvalho.11894214_875538282515002_3596413449315816009_o

Neste momento, o CURTA CIRCUITO está programando para novembro a exibição do ótimo longa metragem do meu irmão, Denoy de Oliveira, O BAIANO FANTASMA, detentor de diversos prêmios, e vou propor ao pessoal convidarem o belo ator José Dumont, protagonista do filme (já que meu irmão é falecido), para o debate com aquela instigante plateia.

Pra encerrar, foi tão interessante a minha estada em Belo Horizonte – conviver com aquela gente motivada foi tão legal! – que me convidei a voltar lá exibindo um outro trabalho meu, o GARGALHADA FINAL, dos meus filmes, o mais elogiado pela crítica. E muito pouco visto, mas muito pirateado.

Comente

comentários