Entrevista com Xavier de Oliveira

Quando surgiu a ideia de fazer cinema?

Xavier Oliveira - cineastaVem de longe. Nem sei de quando. De bem jovem. Minha geração é cinemera, o cinema é paixão, eu andava quase um quilômetro levando uma cadeira na cabeça, eu e a vizinhança, pra ir assistir a uma projeção pública numa vila, no bairro de Benfica, onde nasci. Umas pessoas tinham projetor 16 mm e chance de conseguir filmes, e daí exibiam em certo dia, exibiam na rua, em recinto fechado, sem cobrar nada, até fita em série tinha, só pelo prazer de alegrar as pessoas, de juntar dezenas, centenas de pessoas, paixão pelo cinema. Tinha uma exibição que era até engraçado, a tela ficava do outro lado da rua, numa parede branca, e quando o bonde passava as imagens ficavam em cima dele, a gente torcia para que o bonde passasse logo. Tinham exibições na Vila Previdência, a do “seu” Mineiro, num lugar tipo garagem, e a tal da rua, na São Luiz Gonzaga — isso aí no início dos anos 50. Havia os cinemas em bairros próximos, claro, o Fluminense, o Natal, o Cancela, Olaria, São Pedro, mas eram distantes, tinha que pegar condução. Mais ou menos nessa época, nos mudamos pra Ipanema e aí a coisa mudou muito. Os cinemas ficavam do nosso lado — Cine Pirajá, Cine Ipanema, em frente à General Osório, o Pax, em frente à Praça N. S. da Paz, um belo cinema, ligado à igreja, mais adiante o Astória, onde vi os primeiros filmes do Fellini, e outros clássicos.  No Pirajá, assisti a um filme que me impressionou muito, “O mensageiro do diabo” (The night of the hunter), do Charles Laughton… O fenômeno James Dean me ganhou na época e tantos clássicos, eternos, eu tenho eles em DVD, enfim, o cinema foi entrando pelos meus poros, e eu tinha 17 anos, mas aí meu pai faleceu, e foi um golpe brutal, nossa vida mudou de rumo, tive que procurar uns empregos medíocres, até fazer concurso para o Banco do Brasil, passar, e ser enviado para o interior da Bahia, Itapetinga, uma cidadezinha de um só cinema, um jornaleco, nele eu fazia resenha de filmes, um deles que me marcou muito, “Uma vida em pecado” (Studs Lonigan), se fala pouco desse filme, mas é muito curtido por alguns. Eu via lá os circos chegando na cidade, aquele estardalhaço pelas ruas, circos mambembes tipo lona furada. Eles se instalavam em terrenos baldios, ficavam um fim de semana e arribavam em seguida, em caravana. Eu sempre assistia aos espetáculos, coisa que eu e meus irmãos, Denoy e Rui, fazíamos muito, em criança, levados pelo nosso pai; enfim, ficaram daí experiências pra escrever, anos depois, o roteiro do “Gargalhada Final” — história de circo mambembe, de interior, filme pouco visto, mas, de todos que fiz, o mais elogiado pela crítica.

Mas logo você volta pro Rio…  

Sim, em 1962, o Banco me transferiu pra cá, uma época de muito acontecimento — cinema novo, “Pagador de Promessa”, bossa nova, CPC da UNE, Jango, Copa do Mundo…  Nos anos que fiquei na Bahia, quase três, eu e meus irmãos trocávamos cartas sobre a nossa produtora de cinema, a empresa que a gente queria criar, mas cadê os meios? Aí tivemos a seguinte ideia babaca: fazer fotonovela, muito em voga na época, juntar dinheiro pra partir pro cinema. Pegamos o nosso amigo Edison Batista, brilhante fotógrafo, para entrar na aventura, ele topou, o Denoy escreveu a história “Vitrine de sonhos”, arrumamos um carro, contratamos modelos, e mandamos ver, com o Denoy dirigindo as fotos. Só que encalhou tudo. Não conseguimos vender pras revistas. Acharam nossa história inocente demais diante das italianas, que chegavam aqui com mais produção, mais baratas… Besteira nossa.

 

Não chegaram nem a tentar novas fotonovelas…

Não, nunca mais. O Denoy preparou nova história, dessa vez pra cinema, um longa, chamava-se “Os trilhos”, passada no meio ferroviário, um tema social, tinha tudo a ver com a época. Convidamos o Leon Hirszman para dirigir, ele aceitou, mas não deu em nada, faltou guichê.

Mas segue vida. Em 64, eu voltava do Banco pra casa de ônibus, vi um jornal enfiado assim no canto, e li um anúncio: curso de direção de cinema no Museu de Arte Moderna, dado pelo cineasta Ruy Guerra, depois substituído. Me inscrevi então. Éramos uns 15 alunos. Com meses de curso, um jornalista, o Silvio Autuori, avisou a gente que haveria um concurso de curtas de amadores, patrocinado pelo Jornal do Brasil/Mesbla. Que era importante entrar nele…

Foi o que fizemos. Nós e muita gente de fora. Aí eu fiz o “Escravos de Job”, mostrando a vida das crianças na favela, a obrigação delas de trabalhar, e ganhei o primeiro prêmio. Isso me deu o direito de fazer um documentário para o Instituto Nacional de Cinema, INC, sobre o arquiteto Sergio Bernardes, “Rio, uma visão do futuro”.

O prêmio do “Escravos de Job” me abriu portas. Me fez conhecer os profissionais. O Barreto, o Cacá, o Nelson Pereira, esse pessoal todo. Fui até o Roberto Farias, ele já era bem conhecido, tinha feito o “Assalto”, e me coloquei pra escrever roteiros. Comecei a trabalhar com ele no “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, mas logo ele me passou pra colaborar com o irmão dele, o Reginaldo Faria, no roteiro do “Os paqueras”, uma comédia de grande êxito. Também fiz parte da equipe, continuísta.

Em seguida, em 67, ajudei o Flávio Tambellini (o pai) no roteiro do longa “Até que o casamento nos separe”, dirigido por ele, e trabalhei também na equipe de filmagem, e na montagem. Mas aí  conciliar cinema com o Banco do Brasil ficou cada vez mais difícil. O Banco foi muito importante, mas não tinha nada a ver com o meu sonho de fazer cinema, nada. Desde 66, eu vinha me licenciando e chegou num ponto que não dava mais. Tive até uma crise branda, fui a um psiquiatra, que me disse tudo o que eu queria ouvir: “você tem que sair do Banco!” Ele dissesse ou não isso, eu já estava de caso pensado. Não havia saída pra mim, eu vivia numa divisão infeliz.

Entregou a demissão do Banco então…

Sim, em 67. Os colegas não entenderam nada: largar “um emprego seguro”, uma “aposentadoria tranquila” pra fazer cinema! Mas sou muito grato ao Banco, foi um grande emprego, e me deixou heranças muito positivas, uma delas, a disciplina no trabalho, nos horários, a organização, coisas fundamentais para quem quer ter uma atividade tão complexa como fazer filmes, dirigir atores, movimentar todo dia equipes de 40, 50 pessoas, e tudo mais. Ainda nesse mesmo ano, fiquei noivo da Armênia Nercessian, que me apoiou na demissão do Banco, para espanto da minha mãe.

O que te levou a realizar “Escravos de Job” com crianças da Rocinha?

Na época, eu estava muito influenciado pelo show “Opinião”, do Teatro Opinião. Meu irmão Denoy era participante do grupo, e isso me aproximou do espetáculo, do formato dele, que juntava o documental, a ficção, a reportagem como pano de fundo — uma sincronia inteligente… Das músicas inclusive. Isso no fim das contas passava uma mensagem de protesto ao regime de exceção que se vivia. Enfim, aquela construção me influenciou muito como meio de dizer alguma coisa, como dramaturgia — inconscientemente, o roteiro do “Escravos de Job” leu nesta cartilha. O curta foi feito com o (de novo) Edison Batista fotografando — eu havia comprado uma câmera 16 mm —, o assistente de direção foi o Juan Antônio Fernandes Sanz, um espanhol, à noite garçom no Cervantes, no Leme, e o meu amigo Gilberto Nizo, que morava na Cachopa, junto à Rocinha, e me facilitou a entrada e atuação na favela, sem falar da ajuda que tive da AP (Ação Popular), uma organização de esquerda. Eu tinha um pequeno recurso para aguentar a produção, mas no final tive que empenhar meu relógio folheado a ouro na Caixa. O Denoy também pôs dinheiro no filme. Passei uns 6 meses na Rocinha, mas a gente não  filmava todos os dias — era uma equipe amadora, o trabalho dependia da disponibilidade de cada um.  Às vezes, eu saia da favela e ia correndo pro Banco.

E o primeiro longa, Marcelo Zona Sul? 

Em 1969, recém-casado, escrevi em 9 dias o primeiro tratamento do “Marcelo zona sul”. Àquela altura, eu já conhecia uma produção de peso, as etapas, o processo todo, eu já havia passado por duas produções bem profissionais — “Os paqueras”, e “Até que o casamento nos separe” —, de modo que pensar em fazer meu próprio filme não era uma coisa tão doida. Só era porque o que eu tinha de grana só dava pra levar o filme até o copião e olhe lá, e devendo pra todo mundo. Mas era única saída pra mim. Um baita desafio. Juntei novamente alguns amigos, um deles lá do curso de cinema, o saudoso amigo Carlos Frederico, chamei pra gerenciar o projeto, chamei de novo o Edison Batista, peguei equipamentos na base do “te pago depois”, e nisso contei com a grande ajuda do cineasta David Neves, já falecido, que na época administrava uma câmera e moviola no Museu de Arte Moderna — eu acho que era acervo do Estado. Consegui então a câmera com o David, não lembro se de graça,  aluguel simbólico, não lembro bem, era uma Arriflex de 35 mm. E caímos em campo.

Os protagonistas do seu filme eram adolescentes, como foi montar esse elenco?

Era o grande problema da época… Encontrar ator  mirim — não havia a nível de escolha, praticamente. Era uma faixa difícil, você tinha que sair garimpando. Não é como hoje, 46 anos depois. Hoje você tem elencos, revelações incríveis, há muitos cursos de teatro, oficinas, a própria Globo, com o “Malhação”, ali é um nascedouro de talentos impressionante, tipo incubadora. Enfim, eu tive que apelar pro Jornal do Brasil, eu tinha boas relações lá, aí propus pra eles: que fizessem um concurso público para jovens atores, uma convocação, o que ao mesmo tempo me ajudava a divulgar o filme. Isso foi feito. Naquela época, eu já disse isso, o meu irmão Denoy era do Grupo Opinião, e ele me cedeu as instalações do teatro, ali na Siqueira Campos, cedeu pra fazer os testes. Convidei alguns atores amigos para avaliar — fiquei praticamente de fora, só anotando, fotografando os candidatos. Era assim: a garotada interpretava um trecho do roteiro — aquele diálogo entre o Marcelo e Renata no pedalinho da Lagoa —, fazia um teste de improviso, e pronto. Deve ter ido perto de cinquenta adolescentes, alguns muito bons, alguns, mas que não tinham o tipo “menino-zona sul” que eu imaginava: um garoto de praia, fortinho, cabeludo, surfista, esperto pra caramba. Mas fomos testando, meninos, meninas… Lá pelas tantas, o meu amigo Carlos Frederico, que organizava o teste, chegou pra mim e disse: “Xavier, tem um garoto dando bombada na fila lá em baixo, eu fui dar bronca nele, e ele me disse que era teu cunhado”. Pensei comigo: o que que o Stepan veio fazer aqui?

Aconteceu o seguinte: o Stepan veio de Goiânia passar uns dias lá em casa, de férias, fevereiro de 69. Um primo meu, muito sacana, o Neneco, chegou lá me procurando, e o Stepan respondeu: “Ele foi fazer um teste com uns garotos pro filme dele”. Aí meu primo disse: “e você aqui? Te arruma, vamos lá, faz o teste também, eu te levo no teatro”. E levou o Stepan por pura sacanagem.

E aí chegou a vez dele. Ele fez um teste ótimo, aquela parte do diálogo. E a Armênia, do meu lado, surpresa com a presença do irmão, cochichava: “manda ele improvisar, manda ele improvisar”. Ela sabia que no improviso o cara era fera. Enfim, ele deu um show. Mas… Estaca zero. A minha ansiedade de encontrar o Marcelo continuava. Nenhum dos candidatos tinha o tipo, muito menos o Stepan: branco, magro, um sotaque de goiano carregado — nada a ver com o garotão de praia. E aí, imagina, parti pra São Paulo, pra fazer o mesmo teste, já meio desesperado, mas também lá não deu certo. O tempo passava e minha pequena economia minguava. Até que o meu irmão Denoy, que tinha visto os testes, e sempre muito equilibrado, me disse: “Você tá com preconceito com o Stepan porque ele é teu cunhado — aquele negócio de santo de casa não faz milagre. Pior do que fazer o filme com ele é teu dinheirinho terminar.” Enfim, decidi fazer o filme com o Stepan, mas cadê o cara? Já tinha voltado pra Goiânia, o filme era coisa do passado. Aí entrei em contato com ele: vem fazer o filme. Antes passa por Brasília e vê uma menina de lá chamada Françoise Forton. Vê se ela é bacana.

Aconteceu o seguinte: no auge da aflição de achar a Renata do filme, por sorte me encontrei com a maravilhosa atriz já falecida a Glauce Rocha, curiosamente em frente ao teatro que hoje tem o nome dela, no centro. Ela não me conhecia, mas a pessoa que estava comigo, o Edison, era amigo dela, e lhe contou o meu problema, e ela então indicou a Françoise, “é uma menina, uma ótima atriz, trabalhou comigo numa peça em Brasília”. O Stepan passou então por lá, se encantou por ela, e já vieram juntos de avião. Faltavam agora os atores pra Carminha e Zé Migué.

A Carminha… Aí foi uma solução que pintou dentro do meu grupo de amigos. A Simone Malaguti era filha de um velho e saudoso amigo nosso, o Manoel Malaguti, o Manolo. A menina fez o teste muito bem, e um ótimo papel no filme. De propósito eu fazia ela feia no início até transformá-la numa linda adolescente, o que na realidade era, diante do Zé Migué, numa fonte d’água natural da Floresta da Tijuca.

O Lula é um capítulo à parte. Eu tenho pela memória dele uma ternura que puxa vida… Um ótimo menino, e que já vinha de um curta-metragem, “Garoto de Calçada”, também participante no tal festival do Jornal do Brasil, com bela atuação. Ele morava em Copacabana, e foi também um dos concorrentes naquele concurso, no Opinião. Depois do “Marcelo”, ele filmou “As quatro chaves mágicas”, do Alberto Salvá, e nunca mais eu soube dele. Sumiu de cena. Fiquei sabendo, muito tempo depois, que ele tinha morrido num desastre de helicóptero na floresta amazônica, não sei em que ano. Que tinha tirado um brevê, se tornou piloto… Mas ninguém me confirmou essa história. Se foi verdade, é uma pena! Como lamento! Um garoto cheio de talento, amigo, brincalhão, espirituoso, cheio de piada — nada tinha a ver com aquele menino circunspecto, purinho, que ele encarnou no filme. Uma dor realmente. Ele e o Stepan faziam, no intervalo de filmagem, uma dupla amiga, alegre, endiabrada — dois gozadores.

E a produção do filme?… 

Teve apuros. Se teve… No meio da filmagem, percebi que escrevi um roteiro muito longo, o filme virgem que eu havia calculado pra todo o filme já tava terminando — eu não tinha filmado nem 60% do roteiro! Enlouqueci. Entrei em pânico. Filme virgem era uma das coisas mais caras do orçamento. O jeito: cortar o roteiro. Diminuir. Chamei, então, meu irmão Denoy, sempre ele, e começamos a meter a caneta vermelha. Sequências inteiras dançaram. Muitas. Mesmo na montagem, exclui cenas filmadas, descontrole meu. Mas cheguei ao final sem precisar comprar filme. Pronto, ele ficou com 1 hora e quarenta e poucos minutos.

Já com tudo filmado, começava o novo problema: arrumar o dublador do Stepan. Aquele problema do sotaque… Comecei então a procurar um dublador, um profissional, gente de tevê. Aí vinham uns caras já adultos fazendo voz de menino de quinze anos, uma coisa desanimadora. Pensei comigo: isso é terrível! Pôr voz de falsete no personagem — é o fim da picada. E cadê o Stepan? Já tinha ido embora pra Goiânia. Terminou a filmagem, ele não tinha mais nada que fazer aqui, voltou pra atividade dele de repórter do jornal goiano “Cinco de Março”.

Entrei em contato com ele: Stepan, vem!

Ele veio. Coloquei ao lado dele na dublagem um assistente corrigindo as goianadas. Enfim, ele fez um trabalho extraordinário no “Marcelo”, e que ficou na memória de muita gente. Aqueles problemas que eu disse, dele não ser o tipo, etc., tudo isso foi pro espaço, se anulou com a interpretação que ele deu ao personagem: espontânea, histriônica, sincera. Na verdade, ele criou um anti-herói, o fascínio do anti-herói.

 

Mas e pra terminar o filme? Você disse que o dinheiro só dava pra chegar no copião…

Eu tinha uma montanha de dívidas — estúdio, laboratório, equipe, devia pro montador Manoel de Oliveira, pros fornecedores… Mas pelo menos o filme já estava dublado, montado, em banda dupla, e eu só tinha uma saída para terminar ele: pedir ajuda à CAIC – Comissão de Auxílio à Indústria Cinematográfica, um guichê do Estado, um fomento pro cinema do Rio. Aí entrei com o pedido. Preparei 3 rolos bem legais, do princípio, meio e do fim, em banda dupla, pra exibir pros responsáveis da Comissão, lá no estúdio da Herbert Richers, na Usina.

No dia e hora marcada, chegou no carro oficial o Sr. Américo, que dirigia a entidade. Ele assistiu aos 3 rolos, que davam meia hora de filme, numa sala reservada só pra ele. Terminada a sessão, ele se despediu, sem comentar coisa alguma, e ficou a angústia em nós. Ele gostou ou não? Vai financiar ou não? Dias depois, ele aprovou o nosso pedido de ajuda. Estava salvo o filme! Salvo! Paguei minhas dívidas com todo mundo, inclusive num curto período liquidei o financiamento da CAIC com as rendas da bilheteria.

E as locações? 

Grande parte eu filmei no apartamento da minha mãe, em Ipanema, na Visconde de Pirajá 455, apê 202. Primeiro andar… Lá era a residência do Marcelo. Fora dali, filmamos no “Varanda”, na Praça da Paz, um restaurante do Malaguti — onde o Marcelo conta seu plano de roubar as provas. Filmamos na Lagoa Rodrigo de Freitas, na praia de Copacabana, Vieira Souto, na Pirajá, onde ele pega o jipe na garagem, Avenida Atlântica, Nossa Senhora de Copacabana, Dias da Rocha, no Mercadinho Azul, na Floresta da Tijuca, Parque da Cidade, no Colégio André Maurois, na Gávea, cedido pela diretora e ilustre pedagoga Henriette Amado. Há também cenas em frente às lojas Zacharias e Segadaes, em Copacabana, que vestiram os atores, e na Avenida Brasil, na fuga final.

Filme lançado, sucesso e depois?

Depois!? Com o sucesso eu tinha recursos para produzir o meu próximo longa. Sem angustias, sem aflições, sem ter que pedir dinheiro. E investi tudo que ganhei no “André”, me achando o tal, “O homem do braço de ouro”. Eu pensava assim: se com quatro adolescentes desconhecidos, num filme preto e branco, modesto, eu fiz sucesso, imagina agora com o “André” a cores, com Stepan já conhecido, eu mais escolado… Só que o cinema não tem essa lógica. Mas isso é outra história. É a história do “André a cara e a coragem”.

 

Comente

comentários