Comédia “Solteira Quase Surtando” tem produção da Ártemis.

Cena do filme "The Invitation"A ÁRTEMIS volta a produzir. Depois de longo tempo. SOLTEIRA, QUASE SURTANDO é o título do longa — uma comédia, de observação de costumes, girada aqui no Rio de Janeiro. A história foi inteiramente escrita pela própria estrela do filme, Mina Nercessian, o que, certamente, provocará uma grande identificação por parte do público feminino. O filme será dirigido por Caco Souza (diretor do filme “400 contra um”).

Resumindo, é o seguinte: Nina é uma solteira assumida, convicta, uma “workaholic” de “carteirinha” como se diz, fanática pelo trabalho! Sua vida gira em torno dele, e lhe faz feliz. Seduções do tipo “casar”, comuns à maioria das mulheres, passam longe do seu repertório de vida. Mas, de repente, um revertério: suas convicções desabam quando ela descobre estar entrando numa menopausa precoce, e ter apenas seis meses para encontrar um pai para seu futuro filho. A partir daí ela parte para uma missão quase impossível e urgente: encontrar um marido que a engravidasse, antes que seu útero desse o ponto final no sonho de ser mãe.

Esse é o entrecho. O miolo da história. E dele partem as situações imprevisíveis, cômicas, e até complicadas, ainda mais que ela quer procriar nos métodos naturais, sem conchavos da ciência do tipo fertilização in vitro, reprodução assistida, e outras alquimias.

Enfim, trata-se de uma comédia intensa, num refinado humor feminino, com observações humanas que vão de suas fraquezas, contradições e esperanças. No final, há uma conciliação digna, inesperada até, e esse é o grande achado do roteiro em termos de construção, desenvolvimento, e originalidade.

Em termos práticos a coisa está assim: a Mina está aliada à produtora Meire Fernandes, que, a partir do momento que conheceu o roteiro do SOLTEIRA, QUASE SURTANDO, tomou-se de amor pelo projeto, de uma dedicação que nos meus mais de 50 anos de cinema nunca tinha visto. É comum, normal, alguém se apaixonar pelo seu próprio projeto, acreditar nele, dormir pensando nele, e não ter outra razão de vida senão realizá-lo. Isso é comigo, com quem faz cinema. Cinema é paixão, é entrega, dedicação, é acreditar no improvável, saltar no escuro — é a seiva da atividade. Sem isso nada se faz. Mas, no caso da Meire, todo esse afã ela o dedicou a projeto alheio assumido como seu. E isso é notável!

Pois bem. Por conta dessas pessoas, inclusive de outro “workaholic” do cinema, também no projeto, o eficiente Nazareno Paulo, a produção está sendo tocada, meio sem grana por ora, mas muito pelo entusiasmo das pessoas com o projeto. Outras empresas vieram somar por conta desse vento a favor, como a REDLINE e a CACO SOUZA.

Enfim, vamos construindo a obra. Tijolo por tijolo. O início das filmagens está previsto para o início de março próximo. Neste momento, estão sendo contatados os atores e buscadas as locações, algumas encontradas de singular bom gosto, ótimos achados, bem condizentes com o espírito do roteiro, que tem nas entrelinhas certo refinamento — é evidente na história a preocupação narrativa de alcançar a comicidade com leveza, sem os escrachos apelativos hoje comuns nas comédias nacionais.

A história de SOLTEIRA, QUASE SURTANDO se impõe, assim, via humor inteligente, fazendo valer em suas observações a inconstância humana, sua busca eterna da felicidade.

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